sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

ORIGENS (Pedro Salgueiro para o jornal O POVO)
Dentro da comemoração dos 70 anos de minha mãe Geni, planejamos (eu e o primo Mileno) uma viagem aos vilarejos onde ela e, claro, os irmãos e meus avós maternos nasceram e viveram suas infâncias, na primeira metade do século passado.

Teríamos que enfrentar estradas carroçáveis num ziguezague danado pelo semi-árido quase desértico entre os municípios de Tamboril, Independência e Boa Viagem: um recanto do mundo pouco habitável, com raríssima água disponível e população cada vez menor.

Juntamos mais alguns primos, minha companheira Ana e minha irmã Geyna, os tios José e Gilberta e rumamos na sexta feira, 13 de janeiro, em dois carros rumo às nossas origens. A última vez que minha mãe e sua irmã haviam andado por aquelas bandas tinha sido há mais de 50 anos, quando ainda eram mocinhas e nossa família fazia pela primeira vez o caminho (sem volta) da zona rural para a pequena cidade de Tamboril.

Mal deixamos o Bairro das Pedrinhas e atravessamos o Cercado do Estado na direção do Bom Tempo ela foi adquirindo uma ansiedade própria das crianças que dão os primeiros passos: os olhos, entre arregalados e lacrimejantes, iam se recordando milagrosamente de coisas nas quais nunca mais haviam pensado, tocado, olhado desde suas meninices distantes.

Na Fazenda Cilista foram, os irmãos emocionados, se recordando das primeiras descobertas da infância, das brincadeiras nos terreiros em noites de lua, naquela enorme casa de reboco milagrosamente preservada em tudo: na janelinha para o oitão onde um irmão empurrou o outro em 1957, nos armadores (que eu nunca havia visto nem imaginado iguais) de galhos de árvores parecendo cotovelos de madeira torta saindo das paredes em que armavam as muitas redes, na camarinha escura onde a irmã Núbia falecera de apendicite, no quartinho de bodega do avô Chico Inácio, na linha do teto onde numa noite de chuva com vento caiu um raio, que abriu um enorme buraco no teto e encheu de espanto a imaginação dos pequenos.

Tudo isso narrado pela memória prodigiosa do tio José.

Fomos saindo de lá e retomando a estrada de pura terra e poeira como se andássemos sobre nuvens, as cabeças distantes no tempo em que apenas animais atravessavam aquelas paragens ermas, percorrida mais por anuns e raros galos de campinas. Logo avistamos, da passagem do mata-burros, por sobre o açude em que minha mãe um dia quase se afogou, a localidade de Oliveiras, onde viveram por muitos anos e nasceram alguns dos vários filhos. O casarão mais que centenário em que meu avô foi criado, as três casas (uma só já caída) em que habitaram, lá ouvi pela milésima vez a famosa história dos quatro assassinatos por vingança da morte do Velho Dionísio (o lendário Jumentão da Maravilha), acontecidos na bodega de meu avô Chico Inácio. De lá rumamos, depois de conversarmos um pouco com o quase centenário Chiquinho Flor, para a Curimatã, então visitamos a casa dos Diogos e suas velhas fotografias nas paredes protegendo a solidão de Rosa, que me presenteou com uma boneca de sua infância: “Você tem filha? Leve pra ela, eu fiz quando era criança...”. Em cada alcova ainda os suspiros dos mortos. Como que por encanto pularam a cerca, vindos de um brocado atrás da casa, os irmãos Antônio (e sua nobre Guerreira) e Chico. Eu fiquei sem saber se eles eram reais ou somente visagens, na dúvida chamei os outros para que fôssemos logo procurar a Cruz de Zé Guilherme, morto (lá para as bandas do São Francisco) em 1928 a mando do Velho Dionísio, que por sua vez fora assassinado 32 anos depois de maneira semelhante dentro de sua fantasmagórica casa (fato que desencadeou a vingança, já citada, dos quatro assassinatos na bodega de meu avô).

Precisaria de um livro inteiro para descrever todas as emoções que senti, através de meus próprios olhos e dos de meus familiares, nessa simples (mas profunda) viagem de regresso.
Voltamos para Tamboril cobertos de poeira e de sonhos, certos de que nunca mais seríamos os mesmos.
Autor: Pedro Salgueiro

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Religiões Afro-brasileiras

As religiões afro-brasileiras são também conhecidas como religiões negras, pelo fato de suas lideranças estarem nas mãos de pessoas de cor negra que fazem parte do Movimento Negro. “Os cultos afro-brasileiros são assim chamados por causa da origem de seus principais portadores, os escravos traficados da África para o Brasil.” Como afirma Jostein Gaarder em: O Livro das Religiões, (pagina 292.). Jostein nos afirma ainda que, somente no final da escravidão, ou seja, no final do século XIX, é que se deu a organização das religiões afro-brasileiras, tal fato foi possível devido à fixação de algumas levas de escravos nos centros urbanos propiciando um maior número de escravos aglutinados que consequentemente permitiria a conservação de alguns costumes...
No período que vai do século XVI ao XIX, o Brasil foi palco para uma das maiores imigrações em massa da história da humanidade, milhares de pessoas, entre homens, mulheres e crianças, pessoas das mais diversas etnias e culturas e inclusive religião. “Nesse âmbito de interesse econômico, o continente africano é alvo... de investidas que serviram de cenário para o transporte de milhares de homens... da África para o Brasil, reunindo de diferentes etnias, estágios culturais e religiosos...” (LODY. Raul, Candomblé: Religião e resistência cultural, pag. 07.).
As religiões de cunho afro-brasileiras se formaram em várias regiões do Brasil, mais podemos constatar que os principais focos dessas manifestações religiosas possuem uma grande relação com o comercio triangular que existia na colônia, ou melhor, praticado entre colônia, metrópole e a África, tais manifestações dos cultos afro-brasileiros estão diretamente ligados aos portos do Brasil, “... O vulto que assumiu o tráfico negreiro... provocou um enorme volume de produtos originários... que eram exportados para a África..." (LAPA. José Roberto do Amaral, O sistema colonial. Pag. 78 e 79). Dadas as regiões e suas manifestações afro-culturais e religiosas, vejamos então a sua relação com os principais portos: seguindo a relação do autor José Roberto do Amaral Lapa que fez um levantamento dos portos brasileiros na economia colonial, assim se faz uma relação destes com os cultos praticados na região neles localizados, começamos pelo porto da Bahia que saiam um total de 60 itens, O culto predominante na Bahia é o candomblé, os rituais nagô, queto e ijêxa, permaneceram puros e se aproximando do culto original africano; em Pernambuco saiam ouro, drogas, fumo, açúcar e outros. O culto predominante em Pernambuco é o xangô; Do porto do Maranhão saiam cerca de quarenta e três produtos. Em São Luís do Maranhão, o candomblé sofreu influência da Casa da Mina, com características daomeanas; Do Rio de Janeiro saíram açúcar, fumo entre outros. O culto característico é a umbanda, os diferentes elementos étnicos africanos se misturam com elementos indígenas, católicos e espíritas, apresentam aspectos distintos em seu sincretismo.
Levando em consideração que o negro africano era considerado moeda de troca frente aos produtos brasileiros, fica fácil entender as razões pela qual essas regiões tornaram os principais focos de manifestações das religiões afro-brasileiras já que elas eram os principais pontos de entrada do tráfico negreiro.

Prof. Cleiton Araújo

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Escrita pré colombiana

Descoberta língua do Peru pré-hispânico Documento do século XVI revela que indígenas herdeiros da cultura moche, precursora dos incas, tinham um sistema de escrita próprio por Heloísa Broggiato
Lista anotada no verso de um documento centenário com a tradução dos números em espanhol e em numerais aráicos para a linguagem moche


Não é de hoje que a pechincha é praticada no Peru. Um documento da cultura moche, encontrado em Magdalena de Cao Viejo, no complexo arqueológico de El Brujo, ao norte do país, revela uma discussão sobre o preço de um tipo de tecido datada do século XVI. Mais importante do que a barganha, o verso do documento apresenta uma lista de anotações com a tradução dos números em espanhol para numerais arábicos e para a linguagem moche.

Para Jeffrey Quilter, diretor do projeto arqueológico de Magdalena de Cao Viejo e curador do Museu Peabody, em Harvard, a descoberta mostra que as interações entre os nativos sul- americanos e espanhóis eram muito mais complexas do que se havia imaginado.

O pequeno pedaço de papel foi encontado em 2008, mas a recente análise do documento revela a tentativa de quem o escreveu de compreender o funcionamento do sistema numérico da antiga civilização. Outra revelação importante trazida pelo documento foi a de que o povo moche provavelmente adotava o sistema decimal.

A cidade de Magdalena de Cao Viejo foi construída sobre um antigo templo moche abandonado e tornou-se uma redução, povoado no qual grupos de nativos eram forçados a viver sujeitos às tentativas dos colonizadores espanhóis de civilizá-los e cristianizá-los.

Heloísa Broggiato é jornalista, tradutora, cientista políica e mestre em política internacional e segurança pela Universidade de Bradford, na Inglaterra

terça-feira, 15 de junho de 2010

"Se Eu Fosse Tostão...", crônica de Pedro Salgueiro para o Vida e Arte Especial (29.05)

"Se Eu Fosse Tostão...", crônica de Pedro Salgueiro para o Vida e Arte Especial (29.05)


Poderia contar minha vida passada em número de Copas do Mundo, assim como minha vida futura, acho (vejam bem, acho!) que ainda duro umas cinco copas. Isso quer dizer que já estou, com certeza, no segundo tempo de minha existência, já vivi mais de dez campeonatos mundiais...

Digo mais de dez porque quase vivi o de 1970, não vivi devido a ter apenas cinco anos de idade e ao fato de que em minha pequena e triste cidadezinha ainda não existir televisão. Mas senti o clima todo daquela maravilhosa disputa, senti a alegria geral, a ufania general. Vi os adultos ao redor dos rádios, ouvi muitos gritos de gol. Depois disputamos ainda por muitos anos esta Copa, através dos álbuns de figurinhas dos jogadores, das figurinhas de chicletes na brincadeira do "bate" (se me perguntassem do que mais me lembro da Copa de 70, eu diria que com certeza do cheiro de chiclete impregnado nas mãos... e daquela musiquinha que aprendemos rápido: ``Se eu fosse o Pelé, tomava café``).

Na de 1974, Tamboril já tinha TV, em pouquíssimas residências, é verdade, mas lá em casa só mais umas quatro copas pra frente... Assisti junto com meu pai e uma multidão de pessoas espremidas na sala do tabelião Fernando Farias, que entre uma tragada e outra em sua elegante cigarrilha, soltava um comentário de quem entendia do riscado... Sentado no chão frio da sala, vi o azul nosso ser esmagado pela laranja (depois vim saber mecânica) holandesa, um time que pra nós, que já ensaiávamos nossos primeiros chutes, parecia jogar com 20 endiabrados cabeludos.

Na de 1978, sonhei ser jogador da próxima, tinha todas as revistas Placar e Manchete Esportiva que meu pobre pai conseguia comprar em Crateús através de amigos. Vivia o sonho dourado de quase todo menino: ser craque, ser igual a Zico, Falcão, Ademir da Guia, Enéas, Amilton Melo...

O sonho acabou em 1982, que foi a Copa que brochou toda a minha geração. A partir daquela derrota para a Itália compreendemos que sonhar não era mais possível, que nos restava apenas torcer, mas sem jamais sonhar... Todo quarentão sabe de cor a o nome dos jogadores daquele belo time: Valdir Peres, Leandro, Oscar, Luisinho e Júnior; Falcão, Sócrates e Zico; Cerezo (Paulo Isidoro), Serginho e Éder. No entanto esquecemos o nome daqueles que ganharam, depois, duas copas.

As seguintes foram terríveis, vieram a fórceps, a lágrimas, a cervejas, a calmantes...

Hoje, como apaixonado pelo futebol, continuo gostando de copas do mundo, mas não consigo mais me empolgar; às vezes sinto-me até surpreso que algumas pessoas ainda vivam meus antigos sonhos, quando acompanho as festas de bairro minuciosamente preparadas em nossos subúrbios. Pessoas simples que sacrificam muitas vezes o dinheiro da feira pra comprar enfeites, tintas, camisas, pra enfeitarem suas ruas... Sinto que meu sonho de garoto bom de bola ainda sobrevive, mas apenas nos sonho dos outros!

Aí me vem uma vontade nostálgica de bater uma bolinha, mesmo que na calçada de casa com minha filha pequena, e de cantarolar o resto daquela musiquinha da infância: ``Se eu fosse o Tostão, tirava o calção``.

Pedro Salgueiro é escritor e cronista do Vida & Arte.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Cientistas identificam possível novo ancestral do homem na África do Sul


Jonathan Amos
da BBC News

Um cientista da universidade de Witwatersrand, na África do Sul, anunciou ter descoberto fósseis de duas criaturas hominídeas com mais de dois milhões de anos, que poderiam ser o elo entre espécies mais antigas e as mais modernas, do gênero Homo, entre as quais está a de pessoas atuais.

Lee Berger afirmou à BBC que a descoberta, nas cavernas de Malapa, perto de Joanesburgo, foi feita por acaso em 2008, quando ele e o filho de 9 anos passeavam no local, identificado como um potencial sítio arqueológico graças a uma aplicativo do Patrimônio Histórico Mundial acoplado ao programa Google Earth.

A descoberta do Australopithecus sediba foi publicada na última edição da revista científica "Science", e os cientistas que assinam o artigo dizem que os esqueletos preenchem uma brecha importante no desenvolvimento das espécies hominídeas.

"Eles estão no ponto em que acontece a transição de um primata que anda sobre duas pernas para, efetivamente, nós", disse Berger.

"Acho que provavelmente todos estão conscientes de que este período, entre 1,8 milhão a 2 milhões de anos atrás, é um dos mais mal representados em toda a história fóssil dos hominídeos. Estamos falando de um registro muito pequeno, um fragmento."

Sepultamento rápido

Muitos cientistas veem os australopitecos como ancestrais diretos do Homo, mas a localização exata do A. sediba na árvore genealógica humana vem causando polêmica. Alguns acreditam que os fósseis podem ter sido da espécie Homo.

O que se sabe é que as criaturas de Malapa viveram às vésperas do domínio da espécie Homo. Inclusive, alguns esqueletos encontrados na África Oriental atribuídas a espécies de Homo seriam até um pouco mais antigos que as novas descobertas.

Mas o A. sediba apresenta uma mistura de detalhes e características como dentes pequenos, nariz proeminente, pélvis muito avançada e pernas longas semelhantes às que temos atualmente.

No entanto, a espécie tinha braços muito longos e um crânio pequeno que lembra o das espécies Australopithecus, muito mais antigas, à qual Berger e seus colegas associaram a descoberta.

Os ossos foram encontrados a cerca de um metro uns dos outros, o que indicaria que eles morreram na mesma época ou pouco tempo depois do outro.

Os especialistas dizem que os fósseis podem até ser de mãe e filho e que é razoável presumir que pertenciam ao mesmo bando.

Não se sabe se eles moravam no complexo de cavernas em Malapa ou se acabaram presos por ali, depois que ter sido arrastados para um lago ou piscina subterrâneos, talvez durante uma tempestade.

Os ossos dos dois espécimes foram depositados perto de outros animais mortos, entre eles um tigre dente-de-sabre, um antílope, ratos e coelhos. O fato de nenhum dos corpos ter sinais de ter sido comido por outros animais indica que morreram e foram sepultados repentinamente.

"Achamos que deve ter havido algum tipo de calamidade na época que tenha reunido todos esses fósseis na caverna, onde ficaram presos e, finalmente, sepultados", afirmou o professor Paul Dirks, da universidade James Cook, na Austrália.

Todos os ossos ficaram preservados em sedimentos clásticos calcificados que se formam no fundo de poças d'água.


quarta-feira, 7 de abril de 2010

Inclusão pela música

video
Hoje em dia se fala muito em inclusão das pessoas com necessidades especiais, veja nesse vídeo o que a arte é capaz de fazer, principalmente a música, esta por sua vez parece que não tem fronteiras e nem limites para sua contemplação. Veja o que ela é capaz de fazer e aproveite a beleza de canção.

Projeto é esperança para salvar ruínas da Babilônia da água

Projeto é esperança para salvar ruínas da Babilônia da água

Por John Noble Wildford
The New York Times
  • Imagem de 20.06.2009 mostra danos estruturais que  ameaçam ruínas da Babilônia, no Iraque

    Imagem de 20.06.2009 mostra danos estruturais que ameaçam ruínas da Babilônia, no Iraque

A ameaça mais imediata à preservação das ruínas da Babilônia, o local de uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo, é a água que inunda o chão e destrói o que restou de uma grande cidade da época do Rei Nabucodonosor II, onde hoje é o Iraque.

Essa também é uma das ameaças mais antigas. O próprio rei enfrentou problemas de água há 2.600 anos. A negligência, reconstruções sem cuidado e pilhagem em tempos de guerra também causaram problemas em épocas mais recentes, mas arqueólogos e especialistas em preservação de relíquias culturais dizem que nada substancial deve ser feito para corrigir isso até que o problema da água esteja sob controle.

Um estudo atual, conhecido como projeto Futuro da Babilônia, documenta os danos causados pela água, especialmente associados ao rio Eufrates e ao sistema de irrigação ali perto. O solo está saturado logo abaixo da superfície em locais do Portão de Ishtar e os Jardins Suspensos, há muito extintos, uma das sete maravilhas. Tijolos estão se esfarelando, templos estão em colapso. A Torre de Babel, reduzida a pedregulhos, está cercada de água estancada.